09
jan
13

JARDIM DAS DELÍCIAS

mulher no jardim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JARDIM DAS DELÍCIAS.


Na Avenida Afonso Pena, tudo se perde em um momento estático. Faz-se a concessão com os arcanos da noite em seus símbolos racionais. Uma bruma produz reflexos em grupo de fractais no manifesto dos meus sentimentos.
O mundo desse baque tende a ser cheio de pequenos nadas. Uma escada pequena me conduz nesse lusco-fusco ao incomensurável oráculo de Vênus. Borboletas se dispersam volitando. Suas asas imitam o tom rosáceo da sua pele delicada.
Fibrila o forno alquímico do meu imo. Onde vão dar as marés que levam o barco das minhas emoções, ora singrando o oceano à deriva. O lub-dub cardíaco imprime em mim, um rítmo de cavalo manso na pradaria.
Piso distraído o caleidoscópio do tapete público. O meu perispírito se desloca do lastro ingente do corpo e brinca entre os sólidos edificados da Praça Sete. Como um lepidóptero.
A alma, escrava do amor recorda o prazer!
Seus abraços quentes formataram a química do meu ser. O magnetismo embriagador dos seus olhos transmutou os meus sentidos e ora trafego como um embriagado penducando o equilíbrio. O ânimo do seu corpo farto me faz lembrar as musas de Boticelli.
O suor que docemente escorreu-lhe da fronte e brotou em profusão do seu pescoço é doce ao paladar.
Miríades trinadas de um pássaro noturno rompem à quietude em ultra-sons, acima da oitava central.
A minha alma exerce a sua instrumentalidade plena, como corpo de desejo e a minha imaginação, tocada pelas asas de Píteros, o deus alado, me faz delirar com a lembrança das suas coxas bem torneadas em nácar.
Os seus pés delicados foram sorvidos e degustados na angélica alvura dos lençóis. O volume aconchegante e as linhas curvas dos seus glúteos sugeriram o festim venuziano.
Abre-se uma janela em um piso ascensor de um edifício e um instrumento de metal emite as lentas e prazerosas espirais sonoras de Someone To Watch Over Me, enchendo a via de blues. Há um frison na roupagem noturna, inicia-se um rush.
Uma dama com costume negro em tafetá irradia sensualidade. Atraem olhares.
A lua surge malevolenga por detrás de uma nuvem opaca e sugere a volta ao porto seguro dos seus braços.

Sons guturais, sabor, suores, humores, sussurros… Perdição.
Lubrificações, pêlos, tez, tácito, trêmulo, olhos fatais. Doce, salgado.
Pêlo eriçado, absinto molhado, anis amaro. Estupor em green, líquidos em blues.
Seu deserto úmido e quente!

 

Raphael Reys

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1 Response to “JARDIM DAS DELÍCIAS”


  1. 1 Li Nobert
    06/04/2013 às 20:45

    Muito bom!


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